Predições para o ano novo: Mercado, transformação e consumo

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Nada mais lógico e oportuno, que após não ter desperdiçado nenhum segundo das diversas crises de 2016, realizar os prognósticos para 2017. Mas antes, porém, é importante ressaltar que não sou médium, clarividente ou mago, ainda que, se tivesse algum dom neste sentido não hesitaria em dividir – ou até mesmo enriquecer – as pessoas mais próximas ao meu dia a dia, pois afinal sempre é bom ter amigos ricos.

As transformações rápidas do mercado não são fruto somente de novas tecnologias, embora estas sejam consequência das mudanças de conceitos. Conceitos. Esses sim são determinantes para a mudança da sociedade e, consequentemente, dos mercados.

A mudança nada mais é que o reflexo do comportamento da coletividade. E o comportamento se transforma a partir do aprendizado, trocas e experiências. Óbvio que o aparato tecnológico em perfeita sinergia com os meios de comunicação – principalmente os digitais – potencializam as formas de descobrir os múltiplos mundos em que convivemos.

Este processo intermitente, que a cada dia nos impulsiona para a busca do novo, sejam eles experiências ou aprendizados, muitas vezes, nos confundem e levam o nosso olhar para o meio, para a plataforma, para o tecnológico de forma equivocada, pois, antes dos aparatos inovadores, vem o conceito.

Uma prova simples é a transformação do conceito dos 4Ps  para os  4Cs. Está lembrado dos 4PS? Jerome McCarthy, em 1960, ampliando os conhecimentos de Neil Borden e James Cullition lançou o livro Basic Marketing, organizando o conhecimento de forma didática e acessível.  Kotler – década de 70 – trabalhou amplamente este conceito. Produto (product), Preço (price), Promoção (promotion) e Praça (place).

Roberto Lauterbom, na década passada, inicia um novo olhar sobre as relações de consumo colocando o agente principal – de fato – no seu lugar de protagonista da história. O consumidor passa a ser o foco principal das operações deste novo conceito, onde as ferramentas e plataformas passam a estabelecer uma via de mão dupla, de troca, nas informações e geração de novos conceitos.

Os 4Cs de Robert referem-se a cliente, conveniência, comunicação e custo. Entretanto, atualmente, esse conceito sofreu modificações, adaptando-se para se tornar mais eficaz. Podemos conceituá-lo como conhecimento, comportamento, comunidade e comunicação.

Na prática, as diferenças entre os 4Ps e os 4Cs passam a ser fundamental para as empresas e profissionais entenderem os movimentos dos mercados consumidores.  Para cada P há um C correlacionado com um significado ampliado. Vejamos:

PRODUTO: no século passado, o produto era definido pela ideia do empresário e sua capacidade de materializar. Ele colocava no mercado aquilo que ele conseguia produzir para vender. Já o C correspondente, conhecimento, leva em consideração quais as experiências e desejos que o consumidor busca. Quais são as pequenas ou grandes indulgências que ele se permite na busca de um experimento único. De um momento de realização, de felicidade.

PREÇO: era um cálculo simples. Custo de produção, impostos e margem desejada. Observava a concorrência, o ganho de share e pronto. A precificação estava concluída. Provavelmente, esta fórmula foi o pré-ensaio da guerra de preços em busca ao cliente. Funcionou. Funciona, mas até que ponto? O C correspondente é o comportamento. Como o desejo do consumidor busca uma experiência muito além do produto, ele automaticamente está pré-disposto a pagar por aquilo que ele considera que irá cumprir ou entregar a sensação que ele busca. Pode pagar mais sim. Desde que ele se sinta completo pela experiência oferecida pelo produto ou marca.

Experiência. Esse é um termo que vamos discutir profundamente em um próximo artigo, pois ele é de uma amplitude e multiplicidades impressionantes. Afinal nos relacionamentos com pessoas, indivíduos… Gente.

PRAÇA: Era tão mais simples. Partíamos dos aspectos geográficos, das microrregiões, dos estados, países. Um rápido olhar sobre a cultura local, pequenas adaptações e pronto. Já estávamos competindo. O C correspondente é a comunidade. Comunidade não se restringe mais somente aos aspectos geográficos. Ele perdeu as fronteiras. Ampliou os horizontes e uniu diversas pessoas em múltiplos grupos que vão das redes sociais às confrarias de qualquer espécie. Interesses, afinidades, propósitos, causas diversas unem pessoas em torno de ideias formando um número inimaginável de comunidades diferentes.

PROMOÇÃO: o P destinado a promover produtos ou serviços, em torno de propaganda, Assessoria de Imprensa, Relações Públicas, promoções de preço ou sorteios. Era basicamente divulgar o produto ou serviço através das suas características e de seu preço. O C correspondente é a comunicação. Comunicação é uma palavra ampla e visa prioritariamente fortalecer os relacionamentos de forma empática e próxima. Não existe comunicação sem duas mãos. Não existe empatia sem que possamos nos colocar no lugar do outro. Simples (talvez nem tanto) assim.

Enfim. Após essa longa introdução, podemos finalmente chegar às predições para 2017. Ganhará mercado, fortalecerá e perpetuará sua marca, seus negócios quem colocar em prática esses conceitos e permanecer aberto aos novos que estão surgindo cada vez mais rápido.

Um ótimo 2017!

Por Vicente Muguerza
Sócio e Diretor de Atendimento e Planejamento da Publivar/On